segunda-feira, novembro 18, 2013

SOBRE BRINCAR DE RESPEITAR O PRÓXIMO. Inevitável não comentar as polêmicas das redes sociais.

Quando um torcedor chama outro torcedor de gay, Maria, maricas, bicha ou qualquer outra palavra que remeta à homossexualidade ou qualquer opção ou condição diferente da sua é sim uma forma de preconceito. Quem faz isso está querendo diminuir o torcedor do time oposto e acredita que chamá-lo dessa maneira é uma forma de dizer que ele é pior.

Por que o meu concorrente tem que ser gay? Quer dizer, o time que não presta pra mim é o time dos “viados”? Os “viados” não prestam? É essa a mensagem que você passa.

Se você, torcedor que considera o seu adversário uma “Maria”, não tivesse em sua consciência que ser gay é algo ruim, não chamaria o outro da torcida assim. Se ser gay fosse bom e correto seu concorrente não seria Maria, pois é bom demais pro time oposto. “Chupa Marias”, “Chupa maricas”. Que coisa mais ridícula de se propagar na sociedade.

Brincadeiras ou não, tem adulto demais nas redes sociais reproduzindo um pensamento preconceituoso sem avaliar as implicações de suas atitudes.
Vamos brincar de respeitar as pessoas, suas opções, condições e ideiais de vida? É uma brincadeira mais gostosa.

Um grande problema do preconceito não é aquele grande, vistoso, que a lei pega (ou não) e pune. Mas aquele que está sorrateiramente sendo propagando sem que ninguém faça nada para o conter, porque sempre é apenas mais uma "brincadeira".

sexta-feira, junho 07, 2013

PELE DA DOR

Eu toco, machuco
Sem pudor, empurro
Cutuco, faço urrar
Relembro, resisto
Suprema, confisco

Sob a máscara cruel
Provoco, liberto
Sacudo, desperto
Ensino antes do fim
E aí sim, deixo de parecer ruim

domingo, maio 06, 2012

ESPELHO, ESPELHO MEU...


Meu amigo namora a minha versão adolescente. Imatura, dividida entre um relacionamento sério e a vida social que desponta. Influenciável pelo momento e pelas pessoas ao seu redor. Parecida com mais alguém? Talvez com muita gente, pois a imaturidade não é sobrenatural nem exclusiva de uma parcela da humanidade. 
Vejo a moça perdida na necessidade de seguir o rebanho e abraçar o mundo novo. E ele permanece firme, acreditando que é uma fase. “Vai passar”. E passa, com certeza. Só não se sabe é por quanto tempo dura e o que mais passará até que a fase passe.

Segurei um impulso de escandalizar com a moça, tentar mostrar que ela faz sofrer quem diz amar; que seus choros diários podem cessar se seguir os meus pretensiosos e nada singelos conselhos. Gritar no ouvido dela e estapeá-la pra ver se percebe que mais tarde pode ser tarde demais.

Então percebi que embora eu queira proteger ambos, minha maior insatisfação era comigo mesma, de frente a um espelho do passado.
Lembrei-me de quando era pouco mais nova que ela, e um parente com algumas rugas na face veio me advertir desesperadamente sobre os equívocos que ele julgava que eu estava cometendo. Escutei e respondi em alto e bom som: “deixe que eu faça minhas próprias escolhas, que cometa meus próprios erros; você decidiu e não significa que o que aconteceu com você se repetirá comigo, eu não sou você.”.

Cometer os próprios erros é necessário. Ou os próprios equívocos, como dizem. A experiência do outro não deve determinar o caminho a seguir, mas proporcionar reflexão sobre as escolhas existentes e as possíveis conseqüências. Possíveis, não exatas.
Ao me ver refletida neste espelho comecei, não sem esforço, compreender e perdoar a adolescente imatura do meu passado, que tentando acertar causou algumas dores. Especialmente a si mesma. 
E embora seja um drama ver a moça decidir por caminhos que podem lhe pedir curativos, percebo que foram essas escolhas que me proporcionaram o aprendizado que tive. Também porque entendi que não dá para pular etapas na vida e que a maturidade é construída, torço que ela aprenda tanto quanto eu.

segunda-feira, abril 23, 2012

NÃO MAIS


Eu sempre me achei uma pessoa livre de rancores e mágoas. Tinha orgulho de dizer que não guardo nada pra depois, esclareço na hora e tudo fica bem -- ou não fica mais, por ter acabado ali. 
Recentemente descobri que a minha verdade era quase 100% certa. Quase. E a parte que faltava pra ser completa pesava mais do que o restante.
Guardei mágoas. Por horas, por dias, algumas até por anos. Segurei em mim a carga emocional da insatisfação, que sofreu mutação no decorrer do tempo, se transformando numa massa pesada sobre os ombros. Deve ser por isso que tenho uma pequena inclinação a ser corrigida, justamente nesta parte do corpo.


Liberar o que se acumulou por tempos não é simples, nem fácil. Requer uma dedicação e vontade de lidar com minhas próprias emoções, que às vezes penso ultrapassar minha capacidade. Mas aí percebo como me sinto melhor ao colocar pra fora essa massa doente, e fico mais animada.


Hoje eu tirei uma massinha do meu ombro. Esmurrei a hipocrisia de uma frase que não tolero mais. E vomitei o que não engoli aquele dia. Aqueles dias. E não engulo. Não mais.