quinta-feira, agosto 28, 2014

TOLERÂNCIA DISFARÇADA

Indivíduos fazem posts no Facebook com suas posições políticas para todos os seguidores. Conversam sobre o assunto publicamente e pessoalmente. Discutem com convicção o que acreditam. Legal, ótimo, maravilha! É um direito do cidadão. Não tem mal nenhum nisso. Tem muito bem, inclusive. Discussão saudável é sempre enriquecedora, especialmente se regada a bons argumentos, tolerância e uma boa dose de senso de humor. 

O problema está quando esses mesmos indivíduos se deparam com algum amigo ou conhecido que possui uma posição contrária à sua. Aí começa o show de "decepções" públicas nas redes sociais.
"Que vergonha, vou te excluir"; "Tenho que rever minhas amizades"; "Não esperava isso de você"; e por aí vai, o show de horrores dos pseudo tolerantes que só precisam de uma contrariedade para serem desmarcarados.

Eu me pergunto: pra que ameaçar de excluir? Pra que publicar que vai rever amizades, ou, em alguns casos "conhecidos"? Vai e faz! Se está tão convicto de que você só deve conviver com quem tem uma posição política que você julga, no mínimo, razoável, exclua a pessoa da sua vida! Virtual ou pessoalmente, precisa ameaçar pra fazer? 
Cada dia uma nova pérola. Gente que se conhece fora das redes sociais. Gente que é amigo virtual. Gente que nem é amigo. Gente que convive diariamente. Fico de fora, observando e refletindo. E me orgulho por sentir que minhas amizades não foram construídas dentro de uma convicção política. Nem dentro do Facebook. Elas foram construídas através dos momentos juntos que tocaram nossas vidas, nossas almas. Se não possuímos as mesmas convicções políticas, religiosas ou qualquer outra, isso importa, mas não o suficiente para descartar as pessoas, ou desvalorizá-las (e pior: publicamente). Não o suficiente para deixar de entender que vivo em um mundo plural e que cada um tem uma história, uma cultura, e que não sou ninguém para julgar os caminhos que o fizeram chegar onde está e acreditar no que acredita. Em muitos casos, uso meu direito e dever de expor meus argumentos e opiniões com respeito, mas cabe ao indivíduo avaliar se isso serve pra vida dele. Não o contrário. Seja ele amigo, ou conhecido.


Imagem localizada na web. Procura-se o
dono para conceder o devido crédito.
Em um momento tão importante para nosso país, mais do que briguinha mimada sobre posição política, ameaça infantil de desfazer amizades (sim, parecem crianças ameaçando contar para a mamãe que o irmão fez besteira) que importam ou que não importam, cabe a cada um avaliar seu ponto de vista e, se julgar adequado, posicionar-se publicamente com respeito às convicções dos outros. Ninguém muda ninguém. E essa não é uma novidade que eu descobri agora. A prova está no mundo, pra quem quiser enxergar.

Se você não tolera a diferença política, simplesmente pare de ameaçar e de fato exclua as pessoas que precisam ser excluídos de sua vida. Vá! Faça! Afinal de contas, se uma pessoa é tão descartável assim pra você, se não tem a importância que deveria, certamente você estará fazendo um favor ao seu suposto amigo, saindo da vida dele e deixando pessoas melhores por perto. (Sim, melhores. Desculpe o julgamento que publicamente estou fazendo). Mas tenha consciência que essa intolerância que faz parte de você, certamente não existe apenas nesse ponto da sua vida. E é possível que você seja exigido pela vida a rever seus conceitos um dia. E talvez seja de uma maneira não muito agradável. E talvez você precise de pessoas ao seu lado para enfrentar. Talvez, quem sabe, as mesmas que você está jogando no lixo. Somente talvez...

segunda-feira, novembro 18, 2013

SOBRE BRINCAR DE RESPEITAR O PRÓXIMO. Inevitável não comentar as polêmicas das redes sociais.

Quando um torcedor chama outro torcedor de gay, Maria, maricas, bicha ou qualquer outra palavra que remeta à homossexualidade ou qualquer opção ou condição diferente da sua é sim uma forma de preconceito. Quem faz isso está querendo diminuir o torcedor do time oposto e acredita que chamá-lo dessa maneira é uma forma de dizer que ele é pior.

Por que o meu concorrente tem que ser gay? Quer dizer, o time que não presta pra mim é o time dos “viados”? Os “viados” não prestam? É essa a mensagem que você passa.

Se você, torcedor que considera o seu adversário uma “Maria”, não tivesse em sua consciência que ser gay é algo ruim, não chamaria o outro da torcida assim. Se ser gay fosse bom e correto seu concorrente não seria Maria, pois é bom demais pro time oposto. “Chupa Marias”, “Chupa maricas”. Que coisa mais ridícula de se propagar na sociedade.

Brincadeiras ou não, tem adulto demais nas redes sociais reproduzindo um pensamento preconceituoso sem avaliar as implicações de suas atitudes.
Vamos brincar de respeitar as pessoas, suas opções, condições e ideiais de vida? É uma brincadeira mais gostosa.

Um grande problema do preconceito não é aquele grande, vistoso, que a lei pega (ou não) e pune. Mas aquele que está sorrateiramente sendo propagando sem que ninguém faça nada para o conter, porque sempre é apenas mais uma "brincadeira".

sexta-feira, junho 07, 2013

PELE DA DOR

Eu toco, machuco
Sem pudor, empurro
Cutuco, faço urrar
Relembro, resisto
Suprema, confisco

Sob a máscara cruel
Provoco, liberto
Sacudo, desperto
Ensino antes do fim
E aí sim, deixo de parecer ruim

domingo, maio 06, 2012

ESPELHO, ESPELHO MEU...


Meu amigo namora a minha versão adolescente. Imatura, dividida entre um relacionamento sério e a vida social que desponta. Influenciável pelo momento e pelas pessoas ao seu redor. Parecida com mais alguém? Talvez com muita gente, pois a imaturidade não é sobrenatural nem exclusiva de uma parcela da humanidade. 
Vejo a moça perdida na necessidade de seguir o rebanho e abraçar o mundo novo. E ele permanece firme, acreditando que é uma fase. “Vai passar”. E passa, com certeza. Só não se sabe é por quanto tempo dura e o que mais passará até que a fase passe.

Segurei um impulso de escandalizar com a moça, tentar mostrar que ela faz sofrer quem diz amar; que seus choros diários podem cessar se seguir os meus pretensiosos e nada singelos conselhos. Gritar no ouvido dela e estapeá-la pra ver se percebe que mais tarde pode ser tarde demais.

Então percebi que embora eu queira proteger ambos, minha maior insatisfação era comigo mesma, de frente a um espelho do passado.
Lembrei-me de quando era pouco mais nova que ela, e um parente com algumas rugas na face veio me advertir desesperadamente sobre os equívocos que ele julgava que eu estava cometendo. Escutei e respondi em alto e bom som: “deixe que eu faça minhas próprias escolhas, que cometa meus próprios erros; você decidiu e não significa que o que aconteceu com você se repetirá comigo, eu não sou você.”.

Cometer os próprios erros é necessário. Ou os próprios equívocos, como dizem. A experiência do outro não deve determinar o caminho a seguir, mas proporcionar reflexão sobre as escolhas existentes e as possíveis conseqüências. Possíveis, não exatas.
Ao me ver refletida neste espelho comecei, não sem esforço, compreender e perdoar a adolescente imatura do meu passado, que tentando acertar causou algumas dores. Especialmente a si mesma. 
E embora seja um drama ver a moça decidir por caminhos que podem lhe pedir curativos, percebo que foram essas escolhas que me proporcionaram o aprendizado que tive. Também porque entendi que não dá para pular etapas na vida e que a maturidade é construída, torço que ela aprenda tanto quanto eu.

segunda-feira, abril 23, 2012

NÃO MAIS


Eu sempre me achei uma pessoa livre de rancores e mágoas. Tinha orgulho de dizer que não guardo nada pra depois, esclareço na hora e tudo fica bem -- ou não fica mais, por ter acabado ali. 
Recentemente descobri que a minha verdade era quase 100% certa. Quase. E a parte que faltava pra ser completa pesava mais do que o restante.
Guardei mágoas. Por horas, por dias, algumas até por anos. Segurei em mim a carga emocional da insatisfação, que sofreu mutação no decorrer do tempo, se transformando numa massa pesada sobre os ombros. Deve ser por isso que tenho uma pequena inclinação a ser corrigida, justamente nesta parte do corpo.


Liberar o que se acumulou por tempos não é simples, nem fácil. Requer uma dedicação e vontade de lidar com minhas próprias emoções, que às vezes penso ultrapassar minha capacidade. Mas aí percebo como me sinto melhor ao colocar pra fora essa massa doente, e fico mais animada.


Hoje eu tirei uma massinha do meu ombro. Esmurrei a hipocrisia de uma frase que não tolero mais. E vomitei o que não engoli aquele dia. Aqueles dias. E não engulo. Não mais.  

domingo, março 18, 2012

SOBRE AMOR E PÉS


Recentemente decidi por recomeçar a leitura do livro O corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat, que havia pausado no final do ano anterior por conta das razões que busco para não entender meu próprio corpo. E então cheguei novamente ao capítulo em que a autora relata a trágica morte de seu marido. Parei no momento em que ela entra no quarto do hospital que o esposo se encontra após cirurgia e relata: “agora ele está numa cama. Seus pés saem para fora do lençol. Cubro-os. Sei que ele não gostaria de mostrar seus pés aqui”.

Imediatamente me lembrei de um episódio em que a terapeuta me pediu para colocar no papel características que desejo encontrar em meu namorado e, na coluna ao lado, aquelas que não se encaixavam no perfil da pessoa que busco. Ela se referia a um futuro namorado, pois havia terminado um relacionamento naquele período. A terapeuta achava que eu precisava entender o que procuro e, como escrever costuma clarear minha mente, tentou usar esse método.
Achei racional demais na época. Fazer uma relação das características que espero que uma pessoa tenha? Sair por aí classificando se alguém possui ou não um item da minha lista particular de características desejadas não me parecia agradável. Nada feito. Deixei a lista de lado e com ela a organização das ideias a respeito do assunto.
E então a frase de Thérèse ficou em minha cabeça por dias, fazendo-me refletir sobre aquele momento da terapia.

“Sei que ele não gostaria de mostrar seus pés aqui.”
Uma frase carregada de amor. De zelo. De afeto. De conhecimento e entendimento do outro. De compreensão do desejo do ser amado. Uma frase com ação. Ação de estabelecer o conforto. De respeitar a vontade. De manter a cumplicidade até o fim.
Tão singelas quanto o ato de cobrir os pés, as poucas palavras me mostraram que já encontrei o que buscava. Há muito tempo. 




segunda-feira, dezembro 19, 2011

QUALIFIQUE O VERBO



"As palavras fogem
Se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer"


[As palavras, Vanessa da Mata]

domingo, dezembro 04, 2011

DO QUE SÃO FEITAS AS LEMBRANÇAS

Voltando da escola um dia, dei cara com um gatinho abandonado no terreno em frente a minha casa.
Eu tinha uns 6 anos e achava que poderia salvar todos os animais necessitados que encontrava pela frente. 
O coitado estava tão esfomeado, que seu grito de socorro já soava fraco, ao invés de pidão e carente. Peguei o bichinho e levei para casa.
Não me lembro as artimanhas que tive de fazer para mamãe autorizar a entrada do filhote, mas lembro-me de seus esforços em me ajudar a cuidar dele. Dei comida, banho, arrumei agasalho e uma boa cama. Eu tinha certeza que meus cuidados renderiam muitos anos de vida.
Passei dias alimentando o afeto pelo gato; ele melhorou, ficou saltitante e saudável. Tinha cumprido minha missão de ser útil e salvar o bichinho. 
De repente chego em casa e aconteceu uma tragédia, recebo a notícia de que ele morreu. Tristeza geral, eu não entendia como podia ter desandado a melhora. 
Enterrei o coitado no mesmo local que havia encontrado, após uma cerimônia longa e digna, com uma amiga compadecendo do sofrimento. 
Passei tempos sentida com a perda do bichinho e frustrada com a incapacidade de cuidar dele. E passei a não gostar de gatos. Nunca mais quis ter um, eles não possuem 7 vidas e morrem sem explicação.


Minha mãe diz que o gato não viveu dias e sim horas.
"Ele estava faminto, doente, quase sem pêlos. Você ficou tão comovida com a situação, que seria impossível te impedir de cuidar dele. E eu também sabia que se a gente não fizesse algo, era certo que ele morreria.
Então você cuidou do gato, fez tudo que podia. Ele deu uma animada, parecia que estava respondendo aos cuidados, mas logo morreu, na mesma noite. Cada hora que ele viveu, parecia um dia para você. O tempo para crianças é diferente."




Na infância é difícil escolher quais lembranças guardar, o que valorizar mais e como temporizar corretamente. Horas parecem dias e as emoções são mais intensas. 
Depois que a gente cresce, dá para enxergar outras interpretações dos acontecimentos e selecionar o que é importante ser lembrado. Bom mesmo é quando a gente entende que as alegrias e tristezas podem ter o peso que a gente quer que tenham em nossas vidas.

sexta-feira, novembro 18, 2011

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?

Saiu o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes [ENADE] 2010, que avalia o rendimento dos alunos de graduação em relação ao conteúdo do curso que estão matriculados.
É triste que das 2.176 instituições que participaram apenas 27 tiveram nota máxima. 
Mesmo com as notícias de que o ano apresentou melhorias, comparando com os resultados anteriores, o ensino do nosso país ainda tem muito o que mudar.


Pelo menos estes números serviram para fechar as portas de algumas "gráficas rápidas" de diploma e aumentar o acompanhamento de outras. Todavia, o comprometimento dos estudantes também precisa ser destacado como fator importante para o crescimento acontecer. Não dá para responsabilizar somente as instituições pelo despreparo acadêmico evidenciado no exame. 
Já diz um amigo "não existe prova fácil ou difícil, existe aluno preparado e despreparado". Polêmico, mas real.


Veja se você e sua instituição de ensino estão entre as 27 melhores do Brasil:
1º lugar ESCOLA BRASILEIRA DE ECONOMIA E FINANÇAS 
2º lugar FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS 
3º lugar ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO 
4º lugar UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS 
5º lugar INSTITUTO TECNOLÓGICO DE AERONÁUTICA 
6º lugar FACULDADE DE ODONTOLOGIA SÃO LEOPOLDO MANDIC 
7º lugar INSPER INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA 
8º lugar ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO 
9º lugar ESCOLA DE GOVERNO PROFESSOR PAULO NEVES DE CARVALHO 
10º lugar ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS 
11º lugar FACULDADE FUCAPE 
12º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS 
13º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
14º lugar INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA 
15º lugar FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA 
16º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO 
17º lugar FACULDADE DE ECONOMIA E FINANÇAS IBMEC 
18º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
19º lugar FACULDADE DE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO 
20º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 
21º lugar FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA 
22º lugar FACULDADE DE TECNOLOGIA DE MOCOCA 
23º lugar CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ 
24º lugar ESCOLA DE DIREITO DE SÃO PAULO 
25º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 
26º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO 
27º lugar UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ - UNIFEI  


Confira todos os indicadores do ENADE aqui.

quinta-feira, novembro 17, 2011

DIVIDINDO O MANJAR E... A LOUÇA SUJA

Ultimamente tenho escutado muito que "dividindo se multiplica". Aqui e ali leio essa frase e recentemente, no culto semanal da Empresa, fisgamos justamente uma passagem a respeito do assunto.

Fiquei pensando -- não matematicamente, porque esse é o jeito mais fácil de processar -- na prática dessa questão. Tem gente que só quer dividir as coisas ruins, outros só querem receber a parte que lhes cabe das conquistas. Ah, e tem aqueles que não querem partilhar nada, levam tudo sozinhos, sabe-se-lá-se por medo ou arrogância.
Complicamos demais as relações por não sabermos dividir com equilíbrio as conquistas, os fracassos, as quietudes ou euforias. 

Então eu decidi voltar pra escolinha e aprender a dividir maçãs, laranjas e palitinhos. No dia da formatura, para comemorar, estou pensando em oferecer um manjar, acompanhado de louça suja para lavar =)





BIBLIOTECA PÚBLICA DE ENSAIOS PARTICULARES

Depois de quase uma gestação, de pensar em excluir, cancelar, refazer e mudar, voltei ao blog. Porque a gente sempre volta para aquilo que é importante, para o que a gente gosta. 

O tempo mudou o nome, os temas, os textos e em breve o layout. Tudo se transformou junto comigo e permanecerá em constante mudança; é assim nossa caminhada.

O que é antigo fica, pois representa o que foi. É bom ter o passado para relembrar as coisas boas que vivenciamos e para marcar o novo período.

De O AVESSO DA INDECISÃO, nasce uma BIBLIOTECA PÚBLICA DE ENSAIOS PARTICULARES. 
Não contem a ninguém o que encontrarem nas prateleiras, é muito pessoal. Mesmo.

terça-feira, março 29, 2011

CRESCER

Por Luanda Perséfony

Crescer...
Será esta a constante de nossas vidas???
E se isto é real... por que nos machuca tanto???

Inúmeras perguntas rodeiam minha mente... inúmeras dores são sentidas nas respostas e, o que mais me dói é enxergar chapéus em desenhos de carneiros... por isso olho no céu, que me sauda a cada noite, e vejo a estrela mais brilhante rindo com seus barulhos de guizos para me lembrar que sempre posso passar a pagina e pedir a um novo amigo (somos novos a cada dia), aquele velho carneirinho com sua casa...

segunda-feira, março 28, 2011

BROTHERS AND SISTERS

"A boa notícia é: sempre há tempo para pensar no amor.
Vejam, é o seguinte sobre aquele que se foi: se ele fosse feito para ficar em sua vida, então ele teria encontrado o caminho de volta para você.
Então, siga em frente. Escolheram caminhos diferentes. Bom! Mantenha seus olhos nisso.
Se ficar sempre olhando no espelho retrovisor, perderá a curva que precisa fazer na estrada à sua frente. E acredite, existem várias estradas à sua frente..."

Nora Walker, do seriado Brothers and Sisters, 5ª temp, ep. 14.

domingo, fevereiro 13, 2011

ULISSES E A MENINA DO VESTIDO FLORIDO


Texto de Raphael Vieira, autor do blog Sanidade contida e serenamente cultivada, escrito especialmente para O avesso da indecisão.



Camila era uma menina doce e carismática. Desde pequena cativava as pessoas e protagonizava estórias interessantes.

Conta a lenda que, quando ela tinha 4 anos, cismou que queria ter dois aniversários. A mãe tentou corrigi-la, falando que todo mundo só tinha um aniversário e que aniversário era comemorado no dia em que a
pessoa nasceu e somente nesta data.

Ela não se conformava e bateu tanto o pé que queria ter dois aniversários que a mãe cedeu e deixou ela escolher outra data. Pensou que a menina logo iria se esquecer daquela ideia. Claro que isso não
aconteceu. Na tal data, a menina exigiu comemoração e os pais acharam que não haveria nenhum mal em satisfazer aquele capricho de sua única e precisosa filha.

Foi assim que ela chegou aos seis anos na escola se apresentando aos novos colegas:
- Meu nome é Camila, tenho dois aniversários e adoro esse meu vestido florido.

Para Ulisses, um de seus coleguinhas, foi como se aprendesse subitamente o significado de "paixão à primeira vista". O garotinho negro com um cabelo grande, quase "black power", ficou encantado com
aquela menina branquinha que tinha tantas coisas especiais.

Quando chegou em casa, Ulisses foi bombardeado de perguntas pela mãe:
"Como foi o primeiro dia na escola?"; "Comeu todo o lanche?"; "Gostou de estudar?". Mas nenhuma provocou uma resposta interessante como esta:

- Conheceu muitos amiguinhos, filho?
- Amiguinhos não, mamãe. Mas conheci a minha namorada.
- Ah, é? E como é o nome dela?
- Camila, a menina do vestido florido.

A mãe riu do interesse precoce do seu garotinho nessas coisas do coração e nem deu muita importância.

Como Ulisses não tinha muita experiência em conquistas amorosas, não soube como fisgar Camila. Ficaram apenas amigos, para ela.
Os dois cresceram e a vida deu a cada um destinos diferentes. Até que um dia os dois se esbarraram num aeroporto:

- Oi. Você não é o Ulisses?
- Sou sim. A gente se conhece?
- Bom, eu sou a Camila. A gente estudou junto até a quinta série. Eu tinha vários vestidos floridos... E até hoje eu adoro me vestir assim. Olha só, estou usando um agora! Lembrou-se de mim?
- Camila? Claro que me lembro! Mas você mudou bastante. Está ainda mais bonita...
- Obrigada! Você não mudou nada. Por isso foi fácil te reconhecer...
- Você está viajando a passeio ou a trabalho?
- Estou indo para a Africa como enfermeira voluntária. É o meu sonho... E você?
- Estou indo para o lançamento do meu livro em Porto Alegre.
- Você virou escritor? Que bacana!
- É... Escrevo livros infantis.
- E qual é o nome deste que você está lançando?
- Eh... Chama-se "A menina do vestido florido".

Camila corou por um instante. Coincidência? Não sabia o que pensar. Será que aquele livro tinha histórias inspiradas em sua infância? Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina:

- Oi, amor, aqui está o seu café.
- Camila, quero que conheça a minha esposa Lídia.

Lídia era uma moça encantadora. Tinha um jeito de menina, um sorriso encantador. Ulisses e ela formavam um belo casal.

- Prazer!
- Bom, infelizmente temos que ir para o nosso portão de embarque, mas foi muito bom te reencontrar aqui, Camila.
- Ah, eu também adorei, Ulisses. Boa sorte pra você com seu livro!
- Obrigado! Bom, até um dia, quem sabe...

E Camila ficou observando aquele par se afastar no corredor lotado do aeroporto: um negro muito bonito com seu cabelo quase "black power" abraçado a uma mulher de vestido florido e jeito de menina.

terça-feira, janeiro 11, 2011

2011: NOVAS PÁGINAS



"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, 
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Chico Xavier

segunda-feira, dezembro 13, 2010

ESCOLHER É OPORTUNIDADE


Estamos sujeitos, diariamente, a fazer escolhas.
Algumas cotidianas a gente se acostuma e lida bem com o tempo.
Fica fácil escolher a cor do sapato novo, a roupa de trabalhar, o presente de amigo oculto. É até gostoso decidir entre comprar apenas uma das tantas coisas que se deseja. Afinal, você vai embora para casa com algo que não tinha antes, que se dedicou para alcançar. E em todas essas situações é possível, no seu devido tempo, conquistar o que ficou em segundo plano.

A dificuldade está em fazer escolhas que resultam na renúncia de algo importante; decidir sobre questões que interferem em conceitos, planejamentos realizados, costumes e convicção de modelos ideais, por exemplo.
Dessas há quem tente fugir, consciente ou inconscientemente, porque podem ser opções não conciliáveis e a renúncia é inevitável.
Responsabilidade transferida para o mais próximo, prolongar a decisão, deixar o tempo responder e até súplicas pela abdicação do direito e responsabilidade do livre arbítrio são recursos adotados.
Tudo isso por uma crença de que é mais fácil quando a escolha não parte de si mesmo, para não se culpar caso perceba que a decisão não foi acertada.

É normal sofrer por este tipo de escolha. Não é feio dizer que precisa de ajuda para entender as opções.
Ninguém é inferior por ter dificuldade em abrir mão de algo importante por outra coisa tão importante quanto.

Ao contrário, torna-se inferior quem permite que outros fatores ou pessoas decidam em seu lugar. Aquele que escolhe sem observar os limites do respeito e do cuidado com o próximo e consigo mesmo. Quem trata uma escolha difícil de maneira banal, pra maquiar a responsabilidade de analisar, ponderar. Aquele que empurra com a barriga, na espera que o tempo resolva e que a oportunidade vá embora, junto com a necessidade de fazer uma opção.

Este não se torna inferior comparado a outra pessoa. Inferioriza-se diante de sua própria capacidade de escolher pelo desejo da alma e do coração, por abrir mão de aprender com os erros e poder voltar atrás, recomeçar em busca do que o faz feliz.

Escolher é oportunidade que a vida oferece para que possamos construir nosso caminho de acordo com o que desejamos e acreditamos, aprendendo com a vivência das decisões.
E não tem jeito: já estamos no caminho, quer optemos por ser agente ativo ou passivo nesta construção.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

EXAGERADA

Eu adoro o muito. Sou exagerada e não escondo. E prefiro ser assim, quase sempre.
Escolho o exagero do zelo, o exagero dos encontros, das horas ao telefone.

Eu extrapolo quando canto, quando compro, quando decido.
Aumento uns pontos quando conto um conto.
O arranhão parece corte digno de costura.
Surge um hematoma e logo já fui espancada. Sou diariamente espancada.

Exagero quando reclamo, quando quero, quando me irrito.
Exagero na raiva. Excedo na dose e na intensidade.
Eu grito quando vejo um inseto.
E dou crises de risos quando estou com medo.
Eu me alongo e encurto. Exagero na interpretação.

De todos, meu maior exagero é quando amo. 

E do meu jeito, eu amo muita gente.
Não poupo esforços, não poupo exagero, não poupo o muito de trabalhar.
Esbanjo, deixo a torneira aberta. E a fonte não seca.
Economiza amor quem não sabe que é um "recurso natural renovável".

O QUE VOCÊ ESCOLHEU HOJE?

A vida é feita de coisas boas e ruins. 
Cabe a nós dar mais ou menos valor a cada uma delas.
Esta é uma decisão diária.